OROBORO

October 27, 2006

WOLVERINE: SAUDADE

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Por esta eu não esperava.

Saiu uma matéria de duas páginas (com mais figuras do que texto, é verdade, mas, ora, estamos falando de quadrinhos!) na Superinteressante deste mês (edição 231, com Anarquismo como matéria de capa), sobre a hq WOLVERINE: SAUDADE, a primeira do personagem feita fora dos states, produzida pela Panini italiana – numa iniciativa bem legal e que podia ter suas ramificações no lado de baixo do equador -, de autoria do roteirista Jean-David Morvan e do desenhista Philippe Buchet (mais informações aqui, aqui e aqui).

No site da revista, existe um preview (cuja visualização tá meio ruim) com três páginas.

ROTEIRIZANDO.

Filed under: Roteiros de HQ, Eu

Já antecipei uma das minhas decisões de fim de ano, e, depois de pensar bem, decidi (com uma única exceção) largar mão de vez desse negócio de fazer roteiros para hq.

Foram muitos roteiros não-lidos, não respondidos, não correspondidos, não desenhados, e é cada vez mais frustrante pensar que vou passar horas burilando algo cujo destino vai acabar sendo um diretório esquecido em meu computador.

Eu ADORO a linguagem dos quadrinhos. Até mantenho este blog só pra falar disso. É fascinante escrever roteiros: imaginar qual vai ser a melhor maneira de unir as palavras e as imagens sugeridas ao desenhista. Saber como o desenhista vai reinterpretar aquilo que você escreveu, o que ele cortou, o que ele mudou e o que ele agregou artisticamente. As conversas que virão na sequência, etc. Mas, vamos aos fatos.

O roteiro é a parte fácil da – com o perdão do trocadalho – história. Fácil porque é algo mais etéreo, ainda está mais no reino das idéias do que no nosso mundinho bunda-de-jaca. A gente pode escrever um roteiro de várias formas: num laptop de última geração, num palm, num caderno, em pedeços de papel de pão, guardanapos, no editor de textos do celular (haja paciência!), enfim, em qualquer meio onde seja possível gravar uma quantidade significativa de palavras. A gente pode escrever um roteiro enquanto espera a consulta, enquanto estamos em horário de almoço, enquanto estamos na praça de alimentação do shopping nos entupindo de quantidades insalubres de carboidratos e proteínas e, a minha preferida, no horário de trabalho (nestes casos, gosto de pensar que estou, indiretamente, sendo remunerado para isso).

Já com o desenho, o buraco é bem mais embaixo. O desenhista necessita de um espaço próprio, necessita de ferramentas específicas e, principalmente, necessita de tempo. A escrita pode ser fragmentada, mas o desenho não. Se o cara tiver desenhar algumas linhas e depois parar para fazer o que quer que seja, provavelmente vai deixar para outro dia. E como isso que a gente costuma chamar de vida não é nem um pouco condescendente com este tipo de divertimento, o outro dia vira outro mês, outro ano, e depois, nunca.

Claro, há também a hiper-bunda-molice que grassa no reino dos pretensos quadrinistas (coloquei no mesmo saco todos os envolvidos: quem junta letrinhas e quem faz linhas) nacionais, e não é nada incomum ter trocas calorosas de emails e mensagens instantâneas substituídas pelo silêncio total. O problema, a meu ver, nem é a desistência (por não poder ou por simplesmente não querer mais desenhar a história. Note que estou falando do ponto de vista de quem faz roteiros. Existem roteiristas furões também), mas sim a falta de transparência. A velha história de ir “enrolando” até quando der. De se comprometer sem saber se realmente vai poder cumprir a sua parte no trato. De não ter coragem de dizer que não sente mais tesão pela história e tá a fim de partir para outra. “Ah, mas eu não estou ganhando nada para fazer isso!” “É? Mas ningúem mentiu pra você. Por que aceitou, então?”. Criar expectativas à toa é a pior coisa que tem, vá por mim.

Por essas e por outras, tô pulando fora, enquanto ainda é tempo.

A exceção, claro, é LIBRA, que também pretendo levar num ritmo mais light. Terminei o segundo roteiro (serão hqs de 8 páginas) e vou tocar o terceiro bem devagar, na manha.

Um efeito colateral disso foi que – à guisa de esperiência -, antes de Libra ter ido parar nas mãos do Leal, tentei migrar o roteiro para um formato áudio-visual (minha desculpa para gastar algumas horas brincando com o Celtx). Escrevi dez páginas, que abarcam LÍNGUAS MORTAS, o primeiro capítulo, mais o que acabou se tornando a introdução de FIEL, o segundo, que eu não tinha iniciado na época. Achei uma delícia a oportunidade que tive para intertextualizar (como estamos chiques, não?) a história. Há coisas que funcionam em quadrinhos e não funcionariam em um filme. Além disso, já que era para meter o pé na jaca, mudei, para o hipotético roteiro cinematográfico, a história. Se nas hqs - e veja que só escrevi dois roteiros, mas já tenho todo o resto plotado por aqui – ficariam mais pontas soltas e buraquinhos para o leitor preencher com o que bem lhe aprouvesse, na versão cinematográfica seria tudo bem redondinho, bem auto-referente. Seria? Será? Sei lá.

Por outro lado, martelar prosa pura e simples tem se tornado bem mais compensador.

Quem sabe, um dia?

October 25, 2006

O INSTITUTO.

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O INSTITUTO.

Osmarco Valladão, roteirista do álbum THE LONG YESTERDAY (que já foi comentado por aqui), gentilmente cedeu o release, a capa e duas páginas de sua última empreitada, O INSTITUTO, novamente ao lado de Manoel Magalhães, o mesmo responsável pela arte de THE LONG YESTERDAY. Já vá separando a grana!

EM TEMPO: O Osmarco mandou avisar que o preço do álbum será de 28,00 R$. Demorô!

O release:
=======

Uma misteriosa organização que aceita qualquer trabalho, é contratada para
resolver uma crise conjugal. Parece simples, mas o personagem que contrata o
Instituto descobrirá que não é bem assim. Os métodos do Instituto, como diz
seu sombrio representante, Sr. Joyce, são muito pouco convencionais e seus
objetivos, ainda mais misteriosos.
Envolvido numa trama onde nunca se sabe se as pessoas ou situações são o que
parecem, o personagem principal (que como todos os outros, excetuando o Sr.
joyce, não possui nome) tentará descobrir o que é realmente o Instituto…
se sobreviver à ele.

O novo álbum de Osmarco Valladão e Manoel Magalhães (The Long Yesterday) sai
pela editora carioca Aeroplano, que estréia em quadrinhos. Uma história de
suspense, um “noir contemporâneo” como define Osmarco, dessa vez sem os
elementos de ficção científica que haviam em The Long Yesterday, mas nem por
isso menos surpreendente. O traço limpo, de influência européia, de Manoel
Magalhães ganha mais sombras e contrastes, como pede o roteiro.

O Instituto - Osmarco Valladão e Manoel Magalhães - Aeroplano Editora - 52
páginas, 21x28 cm, preto & branco, lançamento em novembro de 2006.

O INSTITUTO - Capa

O INSTITURO - pag. 1

O INSTITUTO - pag. 2

OS 50 MELHORES ROTEIRISTAS DE QUADRINHOS

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(segundo os leitores do Comic Book Resources)

É bom lembrar que, para a maioria daquele pessoal, não existem quadrinhos fora dos states, então nem perca seu tempo procurando por Jodorowsky, Trillo, Manfredi, Berardi, Pratt, Charlier e demais escritores cujos trabalhos não gravitem ao redor da indústria americana.

Ainda assim, concordo com os dois primeiros lugares.

A lista.

Via Pablo.

October 20, 2006

QUADRINHÓPOLE

Filed under: Resenhas, Notícias

Capa da edição 1, por José Aguiar

Hoje rola o lançamento oficial, mas ontem já tinha posto minhas mãos na primeira edição da revista revista independente QUADRINHÓPOLE.

A primeira edição traz 4 hqs, UNDEADMAN, INVISÍVEIS, SEQUESTRO RELÂMPAGO e CAMPO DE FEIJÃOTRAÇÃO, sendo que a primeira é o único título fixo na revista.

UNDEADMAN – 6 páginas

Roteiro de Leonardo Melo. Arte de André Caliman.

A verdade é que nunca fui chegado em aventuras do tipo capa-espada (existem as exceções, obviamente), contudo, como o Leonardo promete no editorial da revista, as histórias de Jason de Ely, o cavaleiro imortal que dá nome ao título, não se resumirão a um período histórico somente, o que já torna a coisa mais interessante aos meus olhos. Essa hq é só uma introdução ao personagem e seu universo. Aguardemos mais. O destaque da hq fica para a arte de André Caliman, a melhor da edição, IMHO.

INVISÍVEIS – 8 páginas

Roteiro de Pablo Casado. Arte de Thiago Oliveira. Tons de cinza por Renato Moraes.

O título já reverbera as influências Morrisonianas de Pablo, que vão história adentro, numa mistureba legal de conceitos (são quadrinhos, ora!) que me são muito caros. Para mim, foi a melhor hq desta edição. A Sci-Magic é legal e eu queria ver isso de novo.

SEQUESTRO RELÂMPAGO – 8 páginas

Roteiro de Leonardo Melo. Arte de Joelson Souza. Arte final de André Caliman.

Embora o roteiro precise de algumas revisões (o termo “minha cabeça” aparece três vezes seguidas onde poderia ter sido facilmente substituído) e o twist do final me tenha soado um pouco forçado, depois de Invisíveis, foi a hq que mais me agradou, pela escolha de se contar a história sob o ponto de vista da vítima do tal sequestro, literalmente. Os autores souberam explorar isso e criaram um efeito bem interessante.

CAMPO DE FEIJÃOTRAÇÃO – 4 páginas

Roteiro de Leonardo Melo. Arte de Anderson Xavier.

Não sei porque, mas ainda continuo achando que humor puro e simples não casa bem com histórias de outros gêneros, e justamente por isso tenho a impressão que esta hq ficou deslocada na edição, e foi a que menos gostei.

Além disso, na terceira capa, há duas tiras de Chico Félix, que funcionam, mas também me dão a impressão de estarem deslocadas na revista.

Quanto à parte gráfica, o pessoal da QUADRINHÓPOLE está de parabéns. 32 páginas em papel couchê, preço bom (3 mangos), e capa fodida de José Aguiar. Que venham mais.

Lançamento (corre que ainda dá tempo):

20 de Outubro (HOJE!!!!)

A partir das 19:00h, no Memorial do Largo da Ordem, em Curitiba - PR

October 17, 2006

NOVA REVISTA SOBRE QUADRINHOS – E, MAIS IMPORTANTE – COM QUADRINHOS.

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HQM 1

Vetusto que deu a letra.

O pessoal da HQManiacs não tá pra brincadeira. Depois de alguns títulos lançados, agora eles vão publicar uma revista que fala SOBRE quadrinhos e que, thcarã!, trará hqs nacionais no miolo.

Oba!

Mais detalhes, aqui.

October 14, 2006

NEXTWAVE 1 NA FAIXA

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Vovô Ellis manda avisar que a Marvel liberou (em seu próprio site) a primeira edição de NEXTWAVE, para leitua online.

(e também reclama que utilizaram o telefoninho que fizeram para o piloto de GLOBAL FREQUENCY em um episódio de Smallville).

Em tempo: tem que se registra no site da Marvel. Não sabia. Putões.

October 12, 2006

ABBEYARD, DE SCOTLAND YARD

Capa - ridiculamente reduzida - de Abbeyard

(só consegui essa imagem mesmo, rapêize)

Sempre pensei que, depois de FROM HELL, qualquer hq que tentasse desconstruir o mito de Jack, o Estripador, estaria fadada a entrar pelo cano.

ABBEYARD DE SCOTLAND YARD, com roteiros de Viviana Centol e desenhos de Carlos Vogt, publicada originalmente na Itália em treze capítulos e agora lançada na Argentina num único catatau de 168 páginas, felizmente conseguiu me provar que estava errado. E o ingrediente que, além de responsável por essa minha mudança de opinião, ainda consegue manter a hq a quilômetros da obra do Makonheiro Mágicko de Northampton é um velho conhecido nosso: o humor. Negro.

Sente o drama (trecho extraído da introdução escrita por Carlos Vogt, pitorescamente traduzido por mim):

“Muito tempo depois, numa mostra de quadrinhos em Buenos Aires, ao passar entre um grupinho e outro, cumprimentando roteiristas e desenhistas, me encontrei com aquela amiga de minha prima Anelli. ‘Eu te conheço’, lhe disse, sem me recordar de seu nome, obviamente. Nos sentamos com um pessoal para tomar um café. Da conversa surgiu o assunto de que ela estava burilando uma história policial que se passava em Londres, no final do séc. 19. ‘Vai ser uma hq com muito sangue, putas e fantasmas. Os ingleses adoram fantasmas!’, assegurou, empolgada. ‘Eu não’, respondi, sério. ‘Me dão medo.’Viviana Centol olhou para mim, incrédula. ‘Mas…vai ser uma comédia’, achou melhor esclarecer. Acendi um cigarro, com a mão tremendo, e suspirei: ‘Ah. Menos mal.’”

Archibald Abbeyard – que tem sempre o sobrenome confundido com Abellard – é um arquivista da Scotland Yard, sem muitas perpectivas profissionais, que acaba se envolvendo com o caso de Jack, o Estripador, quando Belle, uma prostituta com quem mantinha uma… hã… bela amizade, acaba sendo morta pelo assassino de Whitechapel.

A diferença é que Belle, ao invés de ser extripada como as demais, é arremessada pela janela, o faz com que a polícia acabe descartando qualquer relação deste crime com os demais, preferindo acreditar na hipótese de suicídio. E a história terminaria assim, se o fantasma de Belle não voltasse para azucrinar Abbeyard até que ele concordasse em tentar descobrir a identidade de Jack (e seus motivos), para que ela pudesse descansar em paz.

O humor, pastelão, mas não excessivo, é bem dosado e Viviana constrói uma história bacana, com direito a identidade do assassino revelada (mas só no final). Final este, inclusive, que foge às convenções e também constitui um caso à parte.

Já o traço de Vogt - bem caretão (ou clássico), mas muito bonito - cai como uma luva nessa história vitoriana. Ele capricha nas expressões faciais e não poupa Abbeyard de ser retratado como o paspalho de bom coração que realmente é.
ABELLARD foi publicado pela Thalos Editorial e está saindo por 19,90$ (pesos argentinos).

October 3, 2006

(IN)VERSAO

Filed under: Uncategorized, Notícias

Caiu na rede, é peixe!

Jean Okada disponibilizou em seu fotolog, na íntegra, a hq (IN)VERSAO, desenhada por ele e com roteiro do Velho da Baixada.

Começa aqui

LIBRA

Filed under: Eu, Libra

Luciano Leal (que também está ministrando um curso de desenhos em Limeira, onde vive com a família ) continua postando os esboços fodidos que anda fazendo para LIBRA em seu fotolog. Vai lá que tá legal!

(segunda opçao: flickr)

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