OROBORO

July 31, 2006

BAÚ DA GRAFIPAR

Filed under: Notícias

Gian Danton e Leonardo Santana estão fazendo um trabalho arqueológico pra lá de interessante: criaram um blog cujo assunto é a história da já defunta editora curitibana Grafipar, que se diferenciou na época por apostar pesado em quadrinhos nacionais e até hoje é tida como referência no meio. Dá uma olhada lá, peixe.

July 28, 2006

UN TAL DANERI

Capa de UN TAL DANERI

Impressa num formatão pra lá de grande, em p&b com uns tons de cinza que achei cabulosos (e que até agora não sei se foram retículas bem vanguardistas para a época, ou se foi o bom e velho Photoshop), UN TAL DANERI, primeira colaboração entre o roteirista Carlos Trillo e a lenda argentina Alberto Breccia, “El Viejo”, já começa desconcertante por toda a expectativa que provoca.

São 8 histórias curtas, variando de 4 a 8 páginas, que contam a história de do tal Daneri (acharam que eu ia deixar passar essa, hein?), um gângster portenho que parece ser muito mais do que aparenta. Daneri, anagrama para Dante Alighieri, tem um faro especial para se meter em enrascadas e tragédias dignas de letra de tango. E os autores não negam que Borges foi a principal influência na hora de compor o personagem. Aí, já viu, né?

Das seis hqs, duas em especial (NÉLIDA e OJO POR OJO) são do tipo tapa no ouvido. Mas, apesar de eu ser fanzaço do Trillo, tenho que admitir que quem conduz tudo é mesmo Breccia. O palco principal é Mataderos, bairro de Buenos Aires muito caro a Breccia, e as histórias se passam numa época indeterminada.

O personagem só tem essas histórias, publicadas aos pouco, originalmente entre 1974 e 1978, em diversas revistas, argentinas e italianas, e esse álbum é a primeira reunião de todo o material no mesmo lugar. Segundo os autores, só não houve continuidade porque ninguém se interessou em continuar publicando. Mas todas as histórias são autocontidas.

A edição conta ainda com uma matéria introdutória e alguns esboços. Vale a pena.

O único senão fica pela curiosidade de saber até onde os dois autores teriam levado o personagem, caso tivessem seguido com ela.

P.S.: A série HISTÓRIETAS ARGENTINAS vai continuar assim agora, aos poucos, a medida em que eu for lendo o material. Decidi que fluirá melhor dessa maneira.

LE DÉCALOGUE

Filed under: Resenhas

CAPA DO PRIMEIRO ÁLBUM - LE MANUSCRIT

O texto abaixo é o comentário do camarada Pedro “Hunter” Bouça, mantenedor da lista de discussão EuroQuadrinhos (de onde foi extraído o texto, com a devida permissão) e também tradutor de XIII, do primeiro volume de ALDEBARAN, do vindouro BLUEBERRY e de otras cositas más.

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Há uma característica no quadrinho franco-belga que
perdura até os dias de hoje: O artista é a parte mais importante da
equipe criativa. Não há Goscinny, Charlier ou Jodorowsky que mude
essa tendência, cada série tem um artista fixo que dedica um ano de
sua vida (em média) desenhando (e às vezes também escrevendo,
colorindo e/ou letreirando) um álbum. Como substituições de
artistas são muito raras (até porque os personagens geralmente
PERTENCEM a seus criadores!), a identidade visual de uma série é
bem distintiva. Só se consegue imaginar o Lucky Luke desenhado pelo
Morris, o Asterix desenhado por Uderzo ou o Tintim desenhado por
Hergé. De uns tempos para cá a situação começou a mudar, mas ainda
funciona muito assim.

Frank Giroud, porém, decidiu mudar tudo.

Escritor de quadrinhos até então pouco conhecido, Giroud (nenhuma
relação com Jean “Moebius” Giraud) ofereceu à editora Glénat um
projeto ambicioso: Uma série em 10 volumes e com 10 artistas
diferentes, mas unida pelo roteiro e publicada em um espaço de
tempo pouco usual no quadrinho franco-belga (os 10 álbuns seriam
publicados em cerca de 2 anos, algo impossível nas séries assinadas
por um único artista).

O conceito era tão ambicioso quanto o projeto: Anos antes do Código
da Vinci, Giroud idealizou uma trama religiosa. Na história, o
profeta Maomé teria escrito (em uma omoplata de camelo) um decálogo
- ou seja, um conjunto de 10 mandamentos para a fé muçulmana, tal
como existe um para a fé cristã - que teria sido escondido dos
fiéis por seus sucessores, até, depois de um caminho longo e
turtuoso, chegar até nossos dias em uma versão romanceada, o Nahik,
que vai parar nas mãos de um escritor fracassado, que vê nessa
história uma chance de finalmente emplacar um sucesso.

Essa é a trama do primeiro álbum, sendo que os 10 álbuns
subsequentes recuam progresivamente no tempo até chegar ao “começo”
da trama, no tempo do próprio Maomé. Para além de se relacionarem
via a trama principal, os álbuns também têm como “tema” individual
cada um desses dez “mandamentos”. Um curioso desafio para o
escritor, mas será que ele conseguiu?

Bem, ao menos os dois que eu li até o momento foram bem
interessantes. Na França a série conseguiu vendas (acumuladas, bem
entendido) na casa dos milhões e já gerou dois spin-offs (estes
séries mais convencionais), todos escritos por Giroud que, no
processo, tornou-se um escritor conhecido (atualmente desenvolve
uma outra série de múltiplos artistas, mas dessa vez girando em uma
única trama com diversos pontos de vista, Le Quintett, para a
editora Dupuis, em cinco volumes).
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Depois de ler isso, claro que eu corri para o site de Glénat para conferir a parada e apesar do meu francês inexistente, além da premissa (e também da – com o perdão do trocadalho - gênese) bacana que o Pedro deu de bandeja aí em cima, a série é visualmente interessante. Pena que essas paradas não cheguem nem perto daqui.

July 27, 2006

GRANT MORRISON E DEEPAK CHOPRA

Filed under: Notícias

Lá em San Diego. O vídeo completo (1h e 27min) tá aqui.

Tio Hector foi quem deu a letra.

July 11, 2006

CURSO DE GRADUAÇÃO – PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Filed under: Notícias

Sidney Gusman já tinha tocado no assunto em sua coluna da revista Wizard do mês passado, mas hoje, numa lista de discussão, veio a notícia, diretamente de Hélio Lopes, editor da Pixel Quadrinhos e coordenador do
novo curso de Produção de Histórias em Quadrinhos.

Ainda é cedo pra dizer se vai representar algo concreto nesse nosso mundinho das hqs, mas a notícia é boa e quer dizer que tem MAIS gente levando nossa arte preferida a sério.

Vejamos, vejamos.

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